Há três anos, escrevi para a Martha Medeiros, pois adorei um dos seus artigos.
Segue abaixo a troca de emails:
Elaine,
vá em frente, mantenha esse olhar desassossegado!!
Obrigada pelo e-mail e pelo carinho, beijão da
Martha
-----Mensagem original-----
De: Elaine Vianna [mailto:elaine.vianna@yahoo.com.br]
Enviada em: domingo, 6 de abril de 2008 14:39
Para: martha.medeiros@oglobo.com.br
Assunto: Hoje foi diferente !
Martha,
Leio a sua coluna todos os domingos. Me sinto amparada pelas experiências narradas, pelos fatos descritos, pela sensibilidade e humanidade expostos.
Mas hoje foi diferente.
Hoje não bastou ler. Arranquei a página da revista, como se quisesse utilizá-la como amuleto, ou coisa que o valha.
Como se o que ali está escrito de alguma forma tivesse resumido o turbilhão de emoções e experiências que a minha vida tem me dado de presente. O certo é que eu nunca entendi como eu conseguia estar mais jovem do que há dez anos. Como o meu olhar é mais próximo do olhar da minha filha de sete, do que da minha mãe de 62. E o que me deixa mais feliz é que eu me deparo no espelho com uma pessoa cheia de vida e que, apesar de ter seus momentos de "baixa", não se cansa de tentar descobrir como ser mais feliz, mais humana, mais viva !
Obrigada, pois vai ser mais fácil manter e vibrar com " um olhar de quem estaria disposta a cometer loucuras".
Um grande abraço,
Elaine
Concordo com você, pois mudar dói. Mas é tão bom perceber que não precisamos nem devemos ficar aprisionados em castelos envelhecidos. E aqui o adjetivo é sinônimo de " falta de vida".
quinta-feira, 2 de junho de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Por tudo isso
Eu te amo pela maneira com que você me faz sentir
Eu te amo pelo silêncio que é possível ouvir ao seu lado
Eu te amo pela luz que emana dos nossos corpos quando eles se encontram
Eu te amo por sua generosidade em me esperar
E pela alegria que o teu gozo me dá
E assim, caminhamos movidos por esse encontro...
Eu te amo pelo silêncio que é possível ouvir ao seu lado
Eu te amo pela luz que emana dos nossos corpos quando eles se encontram
Eu te amo por sua generosidade em me esperar
E pela alegria que o teu gozo me dá
E assim, caminhamos movidos por esse encontro...
quarta-feira, 11 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Brincadeira
Vivo à procura de mim mesma
Ora me acho, ora me escondo
E quando me encontro,
Por vezes desconheço o que a mim se apresenta
E recomeço o jogo
Num princípio que é o fim em si mesmo...
Ora me acho, ora me escondo
E quando me encontro,
Por vezes desconheço o que a mim se apresenta
E recomeço o jogo
Num princípio que é o fim em si mesmo...
terça-feira, 19 de abril de 2011
Sem título
Faço poesia do amor que você me faz
Do amor que a gente faz
E que me refaz
Quando ao se toque
Meu corpo emana água
Água que você me bebe
E me devolve
Quando sinto que sua alma fica leve
E flutua no meu ventre
Vejo música no encontro desses corpos
Esta que sou eu
Corpo mesclado na autenticidade das carícias
Das mãos, línguas, cheiros e sons
Com esse que é você
E que por instantes somos nós
E múltiplos de nós
Do amor que a gente faz
E que me refaz
Quando ao se toque
Meu corpo emana água
Água que você me bebe
E me devolve
Quando sinto que sua alma fica leve
E flutua no meu ventre
Vejo música no encontro desses corpos
Esta que sou eu
Corpo mesclado na autenticidade das carícias
Das mãos, línguas, cheiros e sons
Com esse que é você
E que por instantes somos nós
E múltiplos de nós
domingo, 17 de abril de 2011
Sapatos mágicos
Ela estava lá com as amigas para aproveitar uma linda noite de lua cheia e dançar numa conhecida casa noturna de um famoso bairro carioca.
Seu corpo começou a responder instantaneamente aos estímulos produzidos por aqueles sambas antigos.Acontece que, por vezes, ela é a única a evoluir na pista, sem se importar com isso.
Neste dia, um dançarino em potencial se aproximou dela, sem esconder a sua admiração pelo conforto que a moça demonstrava ali.
- Posso dançar com você? - disse ele- Sou de Curitiba e adorei este lugar.
Imediatamente, ela respondeu:
-Se você é de Curitiba, então não vai saber dançar, não é mesmo?
Sabemos que vivemos numa época em que os preconceitos são identificados e abominhados. Ela, então, se envergonhou pela provocação. No entanto, ele contraatacou:
-Se você me prometer que dança comigo, vou correndo até o meu hotel colocar meus sapatos e provarei que posso dançar com você.
Ela assentiu antes que ele disparasse através do salão e desaparecesse.
Suas amigas interrogaram o que Ana poderia ter dito de tão grave que fizesse o moço correr daquele jeito.
Ela explicou o acontecido e expressou a expectativa de ter encontrado um companheiro de dança que a fizesse aproveitar a noite da forma da qual ela mais gosta.
Foi então que o forasteiro chegou com seus sapatos caramelo, de bicos ponteagudos e de um brilho incontestável.
Era como se o mundo naquele instante estivesse depositando as suas esperanças naquelas peças de couro, que fariam aquele improvável casal bailar como nunca.
Ele a tirou para dançar. Ele tentou. Ela esperou os passos do cavalheiro e a música se encontrarem. Até que num gesto quase coreografado, ela o afastou e disse que preferia dançar aquela música desacompanhada.
Bela saída para a situação.
Ele não sabia dançar. Seus sapatos não trouxeram a magia que até ele mesmo acreditava que aconteceria.
E Ana dançou, acompanhada apenas da música e daquele piso perfeito para brincar com o ritmo das maravilhosas canções que foram apresentadas.
Mas no fundo, ela torceu por aquele rapaz. Torceu para que um dia os seus sapatos, aliados a algumas aulas de dança pudessem trazer o contentamento ausente naquela noite.
Seu corpo começou a responder instantaneamente aos estímulos produzidos por aqueles sambas antigos.Acontece que, por vezes, ela é a única a evoluir na pista, sem se importar com isso.
Neste dia, um dançarino em potencial se aproximou dela, sem esconder a sua admiração pelo conforto que a moça demonstrava ali.
- Posso dançar com você? - disse ele- Sou de Curitiba e adorei este lugar.
Imediatamente, ela respondeu:
-Se você é de Curitiba, então não vai saber dançar, não é mesmo?
Sabemos que vivemos numa época em que os preconceitos são identificados e abominhados. Ela, então, se envergonhou pela provocação. No entanto, ele contraatacou:
-Se você me prometer que dança comigo, vou correndo até o meu hotel colocar meus sapatos e provarei que posso dançar com você.
Ela assentiu antes que ele disparasse através do salão e desaparecesse.
Suas amigas interrogaram o que Ana poderia ter dito de tão grave que fizesse o moço correr daquele jeito.
Ela explicou o acontecido e expressou a expectativa de ter encontrado um companheiro de dança que a fizesse aproveitar a noite da forma da qual ela mais gosta.
Foi então que o forasteiro chegou com seus sapatos caramelo, de bicos ponteagudos e de um brilho incontestável.
Era como se o mundo naquele instante estivesse depositando as suas esperanças naquelas peças de couro, que fariam aquele improvável casal bailar como nunca.
Ele a tirou para dançar. Ele tentou. Ela esperou os passos do cavalheiro e a música se encontrarem. Até que num gesto quase coreografado, ela o afastou e disse que preferia dançar aquela música desacompanhada.
Bela saída para a situação.
Ele não sabia dançar. Seus sapatos não trouxeram a magia que até ele mesmo acreditava que aconteceria.
E Ana dançou, acompanhada apenas da música e daquele piso perfeito para brincar com o ritmo das maravilhosas canções que foram apresentadas.
Mas no fundo, ela torceu por aquele rapaz. Torceu para que um dia os seus sapatos, aliados a algumas aulas de dança pudessem trazer o contentamento ausente naquela noite.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Latifúndio produtivo



Vivo há quase nove anos num apartamento muito bonito. Ele é amplo, arejado e confortável. No entanto, foi palco de um momento muito sofrido da minha vida: o fim do meu casamento.
Passei muito tempo de mau humor com aquela casa “enoooorme” e desnecessária. À essa implicância toda, eu atribuía o fato de o meu ex marido ter escolhido e insistido para que comprássemos aquele apartamento e, quando nos mudamos para lá, a nossa relação entrou na derrocada final.
Foi preciso esse tempo.
Foram necessários muitos fins de semana em que eu me trancava solitária no meu quarto em protesto contra aquele todo espaço ocioso.
Pensei em me mudar diversas vezes. Coloquei o apartamento à venda, consegui um comprador mas os meus filhos resistiram à mudança, amigos enfatizaram a valorização que o bairro sofreria com o metrô que um dia chegará lá e outras coisas mais.
E aí veio a reforma agrária.
Ela consistiu em disponibilizar a minha sala de sessenta metros quadrados para as reuniões semanais da minha unidade budista.
Às segundas-feiras, o ambiente se enche com as vozes de, em média, vinte pessoas entoando o Nam Myoho Rengue Kyo e o Gongyo . Apresentação e discussão de textos e relatos que envolvem a prática do budismo de Nitiren Daishonim.
Desde então, tudo faz mais sentido.
Existe um porquê para eu ter aquela casa tão simpática e espaçosa.
Me sinto trabalhando efetivamente por uma causa.
Agradeço todos os dias por essa oportunidade e espero poder oferecer por muitos e muitos anos ao mundo essa célula de luta pelo kosen rufo .
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