domingo, 17 de abril de 2011

Sapatos mágicos

Ela estava lá com as amigas para aproveitar uma linda noite de lua cheia e dançar numa conhecida casa noturna de um famoso bairro carioca.
Seu corpo começou a responder instantaneamente aos estímulos produzidos por aqueles sambas antigos.Acontece que, por vezes, ela é a única a evoluir na pista, sem se importar com isso.
Neste dia, um dançarino em potencial se aproximou dela, sem esconder a sua admiração pelo conforto que a moça demonstrava ali.
- Posso dançar com você? - disse ele- Sou de Curitiba e adorei este lugar.
Imediatamente, ela respondeu:
-Se você é de Curitiba, então não vai saber dançar, não é mesmo?
Sabemos que vivemos numa época em que os preconceitos são identificados e abominhados. Ela, então, se envergonhou pela provocação. No entanto, ele contraatacou:
-Se você me prometer que dança comigo, vou correndo até o meu hotel colocar meus sapatos e provarei que posso dançar com você.
Ela assentiu antes que ele disparasse através do salão e desaparecesse.
Suas amigas interrogaram o que Ana poderia ter dito de tão grave que fizesse o moço correr daquele jeito.
Ela explicou o acontecido e expressou a expectativa de ter encontrado um companheiro de dança que a fizesse aproveitar a noite da forma da qual ela mais gosta.
Foi então que o forasteiro chegou com seus sapatos caramelo, de bicos ponteagudos e de um brilho incontestável.
Era como se o mundo naquele instante estivesse depositando as suas esperanças naquelas peças de couro, que fariam aquele improvável casal bailar como nunca.
Ele a tirou para dançar. Ele tentou. Ela esperou os passos do cavalheiro e a música se encontrarem. Até que num gesto quase coreografado, ela o afastou e disse que preferia dançar aquela música desacompanhada.
Bela saída para a situação.
Ele não sabia dançar. Seus sapatos não trouxeram a magia que até ele mesmo acreditava que aconteceria.
E Ana dançou, acompanhada apenas da música e daquele piso perfeito para brincar com o ritmo das maravilhosas canções que foram apresentadas.
Mas no fundo, ela torceu por aquele rapaz. Torceu para que um dia os seus sapatos, aliados a algumas aulas de dança pudessem trazer o contentamento ausente naquela noite.

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