ELA E ELE
Ela sonhou um amor. Um sentimento arrebatador que rompe todas as barreiras culturais e geográficas.
Ele viu nela a chance de só ser, de amar e viver uma história onde interesses comerciais não prevalecessem.
Eles apostaram nessa história. Se entregaram, tentaram ter um filho, se encontraram mundo afora e terminaram.
Ela, mulher latino americana, quente no corpo, quente no coração e encantada com aquele europeu fascinante e apaixonado.
Ele, português residente na Suíça, funcionário das Nações Unidas. Quanto fascínio!
Ele era tudo que ela gostaria de ter sido, todos os países e culturas que gostaria de ter conhecido.
Ela, a mãe falecida ao seu nascimento. A porção feminina nunca antes experimentada.
Ele não tinha filhos, família, ninguém.
Ela tinha dois, família presente e coração latente.
A gravidez não aconteceu. O trabalho dele o consumia e o sofrimento dela foi inevitável.
A relação enfraqueceu, o romance acabou e a vida seguiu.
Acontece que o coração dela nunca se curou daquela paixão fulminante. No entanto, a distância era a sua melhor amiga, a sua garantia de que havia um espaço de proteção onde o que estava guardado, guardado estava.
Aí o sonho de anos atrás se realizou: ele conseguiu uma missão no país dela. Mas não era uma missão rápida e passageira. Tratava-se de um projeto de duração de, no mínimo, dois anos. Aí o bicho pegou.
Ele veio, eles se viram e ela chorou.
Chorou pelo amor despediçado. Chorou pelo sonho realizado para uma relação que já não existia. Chorou por identificar e justificar naquela pessoa o amor escondido, mas não acabado.
O fim da história ? Bem, não há previsão de fim, mas ela continua chorando...
Junho/2010
sábado, 19 de junho de 2010
Gestos de elevador
Gestos de elevador
Adoro a delicadeza.
Me pego sempre pensando sobre os gestos cotidianos que observamos, fazemos e recebemos.
Um bom dia no elevador, um sorriso em agradecimento a uma porta aberta, um “obrigado” alto, claro, bem articulado.
Mas um fato me chamou a atenção ontem no elevador do prédio onde trabalho: por que algumas pessoas de posição hierárquica privilegiada na instituição não participam desses rituais de delicadeza?
Fiquei divagando sobre possíveis motivos que levam alguns olhares diretamente ao chão ou subitamente para o tão admirado teto desses veículos de elevação.
Pensei nas culpas que alguns carregam por decisões mal tomadas, intrigas formuladas e desacordos declarados. Mas aí divago sobre as razões porque isso me afeta. Talvez seja, porque numa dinâmica dessas jornadas de equipe que mais parecem discussão de relação remunerada, me disseram que eu sou "amante", o que se traduz num ser que vê nas relações dentro do ambiente de trabalho, o principal determinante para que resultados profissionais positivos proliferem.
Calma! Isso não quer dizer que sejamos sempre carentes, desfocados ou enturmadíssimos. Somos do grupo que valoriza muuuuito a delicadeza. É claro, que tudo isso é uma moeda, cuja face menos bonita apresenta exatamente a tristeza que a falta de delicadeza gera. Um elevador, com seu espaço reduzido age como condensador das tendências humanas, um recorte do que os seus passageiros praticam no cotidiano.
Não atentarei aqui para as possíveis variáveis, tais como a presença de um ascensorista, o tempo que a viagem leva, as paralisações que podem acontecer e, atualmente, a companhia de um concorrente direto para o teto: a tela de LCD informando se vai chover ou se o dólar caiu.
O que, de fato, as observações feitas nessas viagens verticais geram é uma vontade de gritar para aqueles chefes, mais que chefes, sei lá, que ninguém trabalha feliz quando não é respeitado.
E que aqui fique também registrada a estranheza que a passividade dos não-cumprimentados revela. Será que estariam todos utilizando a prática da anti delicadeza como manifesto?
Qualquer que seja a resposta, desejo a todos nós que a delicadeza sempre nos acompanhe, para que as nossas mais variadas viagens sejam, ao menos, mais humanas.
Elaine Vianna
Junho/2010.
Adoro a delicadeza.
Me pego sempre pensando sobre os gestos cotidianos que observamos, fazemos e recebemos.
Um bom dia no elevador, um sorriso em agradecimento a uma porta aberta, um “obrigado” alto, claro, bem articulado.
Mas um fato me chamou a atenção ontem no elevador do prédio onde trabalho: por que algumas pessoas de posição hierárquica privilegiada na instituição não participam desses rituais de delicadeza?
Fiquei divagando sobre possíveis motivos que levam alguns olhares diretamente ao chão ou subitamente para o tão admirado teto desses veículos de elevação.
Pensei nas culpas que alguns carregam por decisões mal tomadas, intrigas formuladas e desacordos declarados. Mas aí divago sobre as razões porque isso me afeta. Talvez seja, porque numa dinâmica dessas jornadas de equipe que mais parecem discussão de relação remunerada, me disseram que eu sou "amante", o que se traduz num ser que vê nas relações dentro do ambiente de trabalho, o principal determinante para que resultados profissionais positivos proliferem.
Calma! Isso não quer dizer que sejamos sempre carentes, desfocados ou enturmadíssimos. Somos do grupo que valoriza muuuuito a delicadeza. É claro, que tudo isso é uma moeda, cuja face menos bonita apresenta exatamente a tristeza que a falta de delicadeza gera. Um elevador, com seu espaço reduzido age como condensador das tendências humanas, um recorte do que os seus passageiros praticam no cotidiano.
Não atentarei aqui para as possíveis variáveis, tais como a presença de um ascensorista, o tempo que a viagem leva, as paralisações que podem acontecer e, atualmente, a companhia de um concorrente direto para o teto: a tela de LCD informando se vai chover ou se o dólar caiu.
O que, de fato, as observações feitas nessas viagens verticais geram é uma vontade de gritar para aqueles chefes, mais que chefes, sei lá, que ninguém trabalha feliz quando não é respeitado.
E que aqui fique também registrada a estranheza que a passividade dos não-cumprimentados revela. Será que estariam todos utilizando a prática da anti delicadeza como manifesto?
Qualquer que seja a resposta, desejo a todos nós que a delicadeza sempre nos acompanhe, para que as nossas mais variadas viagens sejam, ao menos, mais humanas.
Elaine Vianna
Junho/2010.
domingo, 2 de maio de 2010
Surpresas
Um dia e depois o outro
Uma sequência de elementos vem do desconhecido
Revelações de uma manhã que parecia cinza
Olhando de trás da cortina
Que uma vez aberta nos traz um céu azul de outono
E depois vem a tarde
Huuummm que tarde gostosa!!!!
Vontade de não se despedir desse dia
Que vai ser sempre lembrado
Como aquele que começou mal
E terminou digno de comemoração,
Porque, no fundo, era uma...
Uma sequência de elementos vem do desconhecido
Revelações de uma manhã que parecia cinza
Olhando de trás da cortina
Que uma vez aberta nos traz um céu azul de outono
E depois vem a tarde
Huuummm que tarde gostosa!!!!
Vontade de não se despedir desse dia
Que vai ser sempre lembrado
Como aquele que começou mal
E terminou digno de comemoração,
Porque, no fundo, era uma...
domingo, 25 de abril de 2010
Sequelas
Há algumas semanas essa palavra tem estado presente no meu vocabulário, sem trema, já que a atualização às novas normas é urgente. O mais intrigante é que era usada na terceira pessoa. Pura simplificação. A terceira pessoa nos isenta, nos distancia. O outro como problema é cômodo, já que nos impede de olharmos para dentro de nós.
Pois é, hoje é dia de faxina. E quando digo faxina, quero explicitar aquele movimento de desordem, onde as gavetas ficam vazias, mas o chão ao redor, cheio de objetos, papéis, restos que se recusam a ser dispensados.
Então tá, sou uma pessoa sequelada também, ok?
Sequelas de uma vida às vezes difícil na adolescência. Sequelas de um casamento desfeito após quinze anos, e por aí vai...
Mas isso não me dá o direito de não conseguir amar e, principalmente, de deixar de acreditar que é possível viver uma relação de amor e respeito, onde as pessoas estão inteiras.
Tenho consciência dos limites individuais, mas por favor, homens acima dos 40, assumam as suas sequelas e tratem-nas !!!
Esse foi mais um episódio da série "Desabafar é Preciso".
Pois é, hoje é dia de faxina. E quando digo faxina, quero explicitar aquele movimento de desordem, onde as gavetas ficam vazias, mas o chão ao redor, cheio de objetos, papéis, restos que se recusam a ser dispensados.
Então tá, sou uma pessoa sequelada também, ok?
Sequelas de uma vida às vezes difícil na adolescência. Sequelas de um casamento desfeito após quinze anos, e por aí vai...
Mas isso não me dá o direito de não conseguir amar e, principalmente, de deixar de acreditar que é possível viver uma relação de amor e respeito, onde as pessoas estão inteiras.
Tenho consciência dos limites individuais, mas por favor, homens acima dos 40, assumam as suas sequelas e tratem-nas !!!
Esse foi mais um episódio da série "Desabafar é Preciso".
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Dúvidas
É normal termos dúvidas sobre coisas aparentemente banais, como as férias.
Porém, algumas vezes essas dúvidas refletem a diversidade de personagens que temos que desempenhar. No meu caso, por exemplo, me deparo com as necessidades de mulher solteira, que adora viajar para grandes metrópoles cheias de opções culturais, gente diferente e a possibilidade de ampliar um círculo de amizades já bastante internacionalizado. Já, outro pedaço de mim quer promover viagens interessantes, nas quais o casal de filhos possa se divertir, conhecer lugares diferentes e conviver de uma maneira mais próxima com a mãe que trabalha o dia inteiro, todos os dias da semana. Uma coisa é certa: estamos falando de férias diferentes, o que é óbvio. A dificuldade consiste exatamente no que fazer com os meninos. Ora penso em opções mais cômodas, tais quais hotéis fazenda, resorts... Mas que coisas mais desinteressantes...Ora, me pego pensando em aventuras ecoturísticas, como os Lençóis Maranheneses...
Mas aí vem a questão: será que vale a pena???
A ansiedade que a proximidade das férias gera poderia bem receber o nome de "tensão pré-decisão", pois a ela soma-se um fato relevante: detesto programar viagens com antecedência.
E, após ler as linhas escritas até aqui, fica difícil saber qual é a causa e qual é a conseqüência.
Porém, algumas vezes essas dúvidas refletem a diversidade de personagens que temos que desempenhar. No meu caso, por exemplo, me deparo com as necessidades de mulher solteira, que adora viajar para grandes metrópoles cheias de opções culturais, gente diferente e a possibilidade de ampliar um círculo de amizades já bastante internacionalizado. Já, outro pedaço de mim quer promover viagens interessantes, nas quais o casal de filhos possa se divertir, conhecer lugares diferentes e conviver de uma maneira mais próxima com a mãe que trabalha o dia inteiro, todos os dias da semana. Uma coisa é certa: estamos falando de férias diferentes, o que é óbvio. A dificuldade consiste exatamente no que fazer com os meninos. Ora penso em opções mais cômodas, tais quais hotéis fazenda, resorts... Mas que coisas mais desinteressantes...Ora, me pego pensando em aventuras ecoturísticas, como os Lençóis Maranheneses...
Mas aí vem a questão: será que vale a pena???
A ansiedade que a proximidade das férias gera poderia bem receber o nome de "tensão pré-decisão", pois a ela soma-se um fato relevante: detesto programar viagens com antecedência.
E, após ler as linhas escritas até aqui, fica difícil saber qual é a causa e qual é a conseqüência.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Mensagem para 2010
O que desejar às pessoas queridas nesta época???
Podemos ser objetivos e dizer que paz, saúde e amor são os bens necessários e que,a partir deles, as outras coisas boas da vida podem acontecer.
No entanto, venho construindo há algum tempo uma lista de determinações para a minha vida em 2010. Nessa lista, podem ser encontrados desejos dos mais variados, para mim, meus amigos, minha família, minha cidade, meu país, o mundo...
Não, não estou doida (ainda!!).
O que eu apenas gostaria de sugerir às pessoas que fizeram parte da minha vida nesse ano que já vai, que possam dedicar um tempinho à elaboração de suas listas, a fim de que sejamos todos capazes de poder identificar o que é realmente importante.
Boa sorte a todos e obrigada por sua amizade!!!
Um grande beijo,
Elaine
Podemos ser objetivos e dizer que paz, saúde e amor são os bens necessários e que,a partir deles, as outras coisas boas da vida podem acontecer.
No entanto, venho construindo há algum tempo uma lista de determinações para a minha vida em 2010. Nessa lista, podem ser encontrados desejos dos mais variados, para mim, meus amigos, minha família, minha cidade, meu país, o mundo...
Não, não estou doida (ainda!!).
O que eu apenas gostaria de sugerir às pessoas que fizeram parte da minha vida nesse ano que já vai, que possam dedicar um tempinho à elaboração de suas listas, a fim de que sejamos todos capazes de poder identificar o que é realmente importante.
Boa sorte a todos e obrigada por sua amizade!!!
Um grande beijo,
Elaine
Gratidão
Pessoas queridas,
Ontem, na reunião de budismo, estudamos um trecho de Nitirem Daishonim, cujo tema é a gratidão.
Ele escreveu, dentre outras coisas, que tudo pelo que passamos em nossas vidas, tanto as experiências boas, quanto as "não tão boas", são efeitos de causas que construímos em algum momento do passado. No entanto, as pessoas que participam das nossas vidas exercem um papel importante para que possamos vivenciar o nosso próprio crescimento.
Por isso, meus queridos, venho manifestar a minha profunda gratidão por tudo que tenho aprendido através de vocês, sobre mim mesma e sobre a nossa existência como seres humanos.
Obrigada!
Elaine
Esse foi um email que enviei para pessoas importantes na minha vida em 26/02/2010.
Ontem, na reunião de budismo, estudamos um trecho de Nitirem Daishonim, cujo tema é a gratidão.
Ele escreveu, dentre outras coisas, que tudo pelo que passamos em nossas vidas, tanto as experiências boas, quanto as "não tão boas", são efeitos de causas que construímos em algum momento do passado. No entanto, as pessoas que participam das nossas vidas exercem um papel importante para que possamos vivenciar o nosso próprio crescimento.
Por isso, meus queridos, venho manifestar a minha profunda gratidão por tudo que tenho aprendido através de vocês, sobre mim mesma e sobre a nossa existência como seres humanos.
Obrigada!
Elaine
Esse foi um email que enviei para pessoas importantes na minha vida em 26/02/2010.
Assinar:
Postagens (Atom)
